O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a apostar no aumento de impostos como principal estratégia para equilibrar as contas públicas, após a Medida Provisória do IOF, que previa arrecadação extra de R$ 17 bilhões em 2026, ser barrada pela Câmara dos Deputados.

Sem a aprovação da MP, o Planalto busca alternativas para recompor as receitas, incluindo a reapresentação de trechos do texto original e a revisão de incentivos fiscais concedidos a determinados setores. A iniciativa, porém, tem recebido críticas de economistas e especialistas em contas públicas, que apontam a falta de foco em cortes de despesas e reformas estruturais como principal entrave à sustentabilidade fiscal.

O governo enfrenta um cenário delicado: o Orçamento de 2026 está inflado por gastos obrigatórios e promessas eleitorais, em meio a pressões políticas típicas de um ano pré-eleitoral. A ausência de medidas de contenção de despesas amplia o risco de desequilíbrio nas contas e reduz a confiança do mercado.

Especialistas defendem que, sem ajustes mais profundos na máquina pública, a elevação de tributos tende a ser paliativa, gerando efeitos negativos sobre o investimento, o consumo e o crescimento econômico.

Enquanto o Ministério da Fazenda tenta demonstrar controle e previsibilidade, a percepção de que o governo evita enfrentar o custo político de cortar gastos reforça a incerteza fiscal e preocupa agentes econômicos e investidores.

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